quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Mensagem Temporária Utilizada para Detecção do Tema (90b709e7-cbd2-4112-b244-ff60d7cf8f6b - 3bfe001a-32de-4114-a6b4-4005b770f6d7)

É uma mensagem temporária que não foi eliminada. Elimine-a manualmente. (dcded45e-079a-423e-86e8-4222aede7f9f - 3bfe001a-32de-4114-a6b4-4005b770f6d7)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Vera Queiroz

 

Gravei as palavras do teu poema.
Para que ninguém,
jamais,além do meu coração saiba.
Que o poema mais lindo,
hoje escreveste em mim.
Vera Queiroz

Foto: Gravei as palavras do teu poema.
Para que ninguém,
jamais,além do meu coração saiba.
Que o poema mais lindo,
hoje escreveste em mim.

Vera Queiroz

sábado, 4 de agosto de 2012

"Los Maragatos”: um povo com sete vidas

 

"Los Maragatos”: um povo com sete vidas

 

Existem há séculos mas dizem-nos muito pouco. Localizado na província de Leão, Espanha, este povo insere-se num enclave geográfico e cultural, a “Maragatería”. Um autêntico achado que desafia o cavalgar da globalização. Têm tanto de enigmático como de puramente desconhecido. A sua identidade é a sua força e o mundo, o seu maior refúgio. Como?... É a história de um povo que resiste como “os gatos”.

maragatos espanha povo

© Maragatos de Murias de Rechivaldo (León, Espanha), (Wikicommons, Rodelar).

O termo parece aludir a uma espécie invulgar de felinos mas sabe-se que “maragato” deriva de “mericator”, “mercador”. Fizeram do comércio (e, recentemente, da música) a sua arte profissional, também pelas jazidas de ouro existentes no território. Apesar da resistência geográfica e da solidez cultural se manterem, hoje, contra as expectativas (mas tal só seria possível numa Espanha constituída pelas diferenças culturais e autonómicas), os “maragatos” fazem-se valer pela sua história e pelos seus costumes.

maragatos espanha povo

© Mapa Municipal de La Maragateria (León, Espanha), (Wikicommons, Tony Rotondas).

maragatos espanha povo

© Marmarole da Palus S.Marco no Inverno, (Wikicommons, Antonio De Lorenzo).

“Microclima” leonês

A “Maragatería”, comarca bem próxima do centro geográfico da província leonesa, é composta por mais de 50 “pueblos” e 8 “ajuntamientos”, sendo Astorga a localidade mais conhecida. Situa-se nas estepes montanhosas, quase cobertas por neve durante o ano e é, essencialmente, rural, pouco desenvolvida, com várias aldeias. Para o “maragato” Veja Carrera, falamos de 400 km quadrados de má e fria terra, sem grandes recursos, “alegrada”, apenas, pelo rio Turienzo e habitada por cerca de 15 000 pessoas.

Talvez resguardados pela encosta montanhosa e “debaixo” de neve, os seus hábitos e tradições não sofreram grandes variações. Como se diz que o que não mata torna-nos mais fortes, a força da globalização não parece, igualmente, ter chegado, até agora, perto deste composto populacional que se definiu como “maragato” entre seis a sete séculos atrás. Enquanto povo, são anteriores ao nome. Os seus cerimoniais e tradições ao estilo sacerdotal, com trajes típicos, parecem indiciar que não advêm de antigos berberes mas, sim, de fenícios ou judeus que chegaram antes da queda de Roma (talvez para explorar o ouro). Tais prováveis nómadas ter-se-ão relacionado com alguma primitiva tribo já lá fixada que reagia à romanização e que, entretanto, terá acabado por aceitar um monoteísmo semita, associado-o à sua anterior convicção religiosa.

maragatos espanha povo

© Vista de Teleno desde Astorga, (Wikicommons, Rodelar).

Esta cultura prima, acima de tudo, por uma singularidade que só espontaneamente e por via das circunstâncias se desenvolveu. As condições naturais e o histórico civilizacional e cultural deste povo acabaram por constituir um espaço de recriação e de desenvolvimento populacional único, como se de um “microclima” se tratasse. Em terra fria, o “calor” com origem nesse “micro-clima”, fruto da relação destas condicionantes, resultou na singularidade e é aqui que o Homem, por mais que tente distanciar-se, se assemelha cada vez mais à Natureza que o criou, tão igual às plantas.

maragatos espanha povo

© "El Maragato", ilustração do livro "Los Españoles pintados por sí mismos", edição de 1851, (Wikicommons).

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Mundo “globalizado” de contradições

A história “maragata” dita a importância da palavra para as vidas destas pessoas e para os seus negócios. A lealdade e a valentia eram outras das características pertencentes à matriz deste povo e que hoje, quer queiramos quer não, nos faz reflectir sobre a mudança das mentalidades da actualidade ocidental.

O maior refúgio desta cultura acabou por ser o mundo globalizado, em crescendo, sem que conseguisse apanhar o rumo deste localismo que, ainda assim, se descentralizou para a América Latina. Ainda que sendo um “pequeno ramo do corpo central” deste povo, os “maragatos”, no século XVIII, acabaram por fundar algumas povoações argentinas nas colónias espanholas da Patagónia, perante a ameaça, para a Coroa espanhola, de os ingleses e os franceses o fazerem primeiro. O actual território do Uruguai também viu estabelecer-se outra destas povoações.

Ainda que minimamente espalhado (pelo menos em tempos), este povo não pareceu nunca ter recebido generalizado reconhecimento e atenção do mundo. Bem pelo contrário. Em parte, por vontade dos próprios. A sua endogamia, inadvertidamente mas também enquanto parte integrante da sua cultura (mais em séculos anteriores do que agora), propiciou um maior isolamento face ao resto da sociedade, reforçando as próprias relações entre os da mesma “raça”, segundo Veja Carreira. O motivo para isso centrava-se na crença e no orgulho na sua génese biológica e na sua “consequente superioridade” sobre as tribos vizinhas, à custa da pureza de sangue, mais do que por questões de auto-defesa ou de mero isolamento.

De novo contra as expectativas, uma cultura deste cariz, pobre em número mas demasiado forte em simbolismo, resiste e insiste contrariando a tendência da globalização. Precisamente, protegendo-se dela, vivendo imiscuída no meio desse mundo quase sem fronteiras, que todos os dias influencia e sofre influências, por baixo da capa “global”. A estrutura social deste grupo vive e recria-se, centrada na suas tradições e no seu conservadorismo. Dificilmente, hoje, poderia ser alternativa às culturas mais abertas que vivem em seu redor. Mas, mais do que cultura, falamos de pessoas que não querem perder o seu pé. Querem, sim, ser tratadas como pessoas, no meio em que confiam. Seria realista desejar, em simultâneo, uma cultura aceite por todos e por cada um?

maragatos espanha povo
© Monumento ao Multiculturalismo de Francesco Pirelli, Union Station, Toronto, (Wikicommons, Robert Taylor).

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Mundo “globalizado” de contradições

A história “maragata” dita a importância da palavra para as vidas destas pessoas e para os seus negócios. A lealdade e a valentia eram outras das características pertencentes à matriz deste povo e que hoje, quer queiramos quer não, nos faz reflectir sobre a mudança das mentalidades da actualidade ocidental.

O maior refúgio desta cultura acabou por ser o mundo globalizado, em crescendo, sem que conseguisse apanhar o rumo deste localismo que, ainda assim, se descentralizou para a América Latina. Ainda que sendo um “pequeno ramo do corpo central” deste povo, os “maragatos”, no século XVIII, acabaram por fundar algumas povoações argentinas nas colónias espanholas da Patagónia, perante a ameaça, para a Coroa espanhola, de os ingleses e os franceses o fazerem primeiro. O actual território do Uruguai também viu estabelecer-se outra destas povoações.

Ainda que minimamente espalhado (pelo menos em tempos), este povo não pareceu nunca ter recebido generalizado reconhecimento e atenção do mundo. Bem pelo contrário. Em parte, por vontade dos próprios. A sua endogamia, inadvertidamente mas também enquanto parte integrante da sua cultura (mais em séculos anteriores do que agora), propiciou um maior isolamento face ao resto da sociedade, reforçando as próprias relações entre os da mesma “raça”, segundo Veja Carreira. O motivo para isso centrava-se na crença e no orgulho na sua génese biológica e na sua “consequente superioridade” sobre as tribos vizinhas, à custa da pureza de sangue, mais do que por questões de auto-defesa ou de mero isolamento.

De novo contra as expectativas, uma cultura deste cariz, pobre em número mas demasiado forte em simbolismo, resiste e insiste contrariando a tendência da globalização. Precisamente, protegendo-se dela, vivendo imiscuída no meio desse mundo quase sem fronteiras, que todos os dias influencia e sofre influências, por baixo da capa “global”. A estrutura social deste grupo vive e recria-se, centrada na suas tradições e no seu conservadorismo. Dificilmente, hoje, poderia ser alternativa às culturas mais abertas que vivem em seu redor. Mas, mais do que cultura, falamos de pessoas que não querem perder o seu pé. Querem, sim, ser tratadas como pessoas, no meio em que confiam. Seria realista desejar, em simultâneo, uma cultura aceite por todos e por cada um?

maragatos espanha povo
© Monumento ao Multiculturalismo de Francesco Pirelli, Union Station, Toronto, (Wikicommons, Robert Taylor).

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Mundo “globalizado” de contradições

A história “maragata” dita a importância da palavra para as vidas destas pessoas e para os seus negócios. A lealdade e a valentia eram outras das características pertencentes à matriz deste povo e que hoje, quer queiramos quer não, nos faz reflectir sobre a mudança das mentalidades da actualidade ocidental.

O maior refúgio desta cultura acabou por ser o mundo globalizado, em crescendo, sem que conseguisse apanhar o rumo deste localismo que, ainda assim, se descentralizou para a América Latina. Ainda que sendo um “pequeno ramo do corpo central” deste povo, os “maragatos”, no século XVIII, acabaram por fundar algumas povoações argentinas nas colónias espanholas da Patagónia, perante a ameaça, para a Coroa espanhola, de os ingleses e os franceses o fazerem primeiro. O actual território do Uruguai também viu estabelecer-se outra destas povoações.

Ainda que minimamente espalhado (pelo menos em tempos), este povo não pareceu nunca ter recebido generalizado reconhecimento e atenção do mundo. Bem pelo contrário. Em parte, por vontade dos próprios. A sua endogamia, inadvertidamente mas também enquanto parte integrante da sua cultura (mais em séculos anteriores do que agora), propiciou um maior isolamento face ao resto da sociedade, reforçando as próprias relações entre os da mesma “raça”, segundo Veja Carreira. O motivo para isso centrava-se na crença e no orgulho na sua génese biológica e na sua “consequente superioridade” sobre as tribos vizinhas, à custa da pureza de sangue, mais do que por questões de auto-defesa ou de mero isolamento.

De novo contra as expectativas, uma cultura deste cariz, pobre em número mas demasiado forte em simbolismo, resiste e insiste contrariando a tendência da globalização. Precisamente, protegendo-se dela, vivendo imiscuída no meio desse mundo quase sem fronteiras, que todos os dias influencia e sofre influências, por baixo da capa “global”. A estrutura social deste grupo vive e recria-se, centrada na suas tradições e no seu conservadorismo. Dificilmente, hoje, poderia ser alternativa às culturas mais abertas que vivem em seu redor. Mas, mais do que cultura, falamos de pessoas que não querem perder o seu pé. Querem, sim, ser tratadas como pessoas, no meio em que confiam. Seria realista desejar, em simultâneo, uma cultura aceite por todos e por cada um?

maragatos espanha povo
© Monumento ao Multiculturalismo de Francesco Pirelli, Union Station, Toronto, (Wikicommons, Robert Taylor).

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Mundo “globalizado” de contradições

A história “maragata” dita a importância da palavra para as vidas destas pessoas e para os seus negócios. A lealdade e a valentia eram outras das características pertencentes à matriz deste povo e que hoje, quer queiramos quer não, nos faz reflectir sobre a mudança das mentalidades da actualidade ocidental.

O maior refúgio desta cultura acabou por ser o mundo globalizado, em crescendo, sem que conseguisse apanhar o rumo deste localismo que, ainda assim, se descentralizou para a América Latina. Ainda que sendo um “pequeno ramo do corpo central” deste povo, os “maragatos”, no século XVIII, acabaram por fundar algumas povoações argentinas nas colónias espanholas da Patagónia, perante a ameaça, para a Coroa espanhola, de os ingleses e os franceses o fazerem primeiro. O actual território do Uruguai também viu estabelecer-se outra destas povoações.

Ainda que minimamente espalhado (pelo menos em tempos), este povo não pareceu nunca ter recebido generalizado reconhecimento e atenção do mundo. Bem pelo contrário. Em parte, por vontade dos próprios. A sua endogamia, inadvertidamente mas também enquanto parte integrante da sua cultura (mais em séculos anteriores do que agora), propiciou um maior isolamento face ao resto da sociedade, reforçando as próprias relações entre os da mesma “raça”, segundo Veja Carreira. O motivo para isso centrava-se na crença e no orgulho na sua génese biológica e na sua “consequente superioridade” sobre as tribos vizinhas, à custa da pureza de sangue, mais do que por questões de auto-defesa ou de mero isolamento.

De novo contra as expectativas, uma cultura deste cariz, pobre em número mas demasiado forte em simbolismo, resiste e insiste contrariando a tendência da globalização. Precisamente, protegendo-se dela, vivendo imiscuída no meio desse mundo quase sem fronteiras, que todos os dias influencia e sofre influências, por baixo da capa “global”. A estrutura social deste grupo vive e recria-se, centrada na suas tradições e no seu conservadorismo. Dificilmente, hoje, poderia ser alternativa às culturas mais abertas que vivem em seu redor. Mas, mais do que cultura, falamos de pessoas que não querem perder o seu pé. Querem, sim, ser tratadas como pessoas, no meio em que confiam. Seria realista desejar, em simultâneo, uma cultura aceite por todos e por cada um?

maragatos espanha povo
© Monumento ao Multiculturalismo de Francesco Pirelli, Union Station, Toronto, (Wikicommons, Robert Taylor).

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Falando em cinema, e a trilha sonora?

Quando te perguntam sobre um filme, você se lembra da trilha sonora? Independente da resposta, clique aqui e relembre as trilhas mais inesquecíveis de todos os tempos!

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Eu tenho um sério problema com a 7ª arte! Uma certa resistência que atrapalha nossa relação, mas quando o assunto envolve trilha sonora, eu morro de amores. As trilhas desempenham um papel importantíssimo por eternizar os clássicos cinematográficos! Selecionei algumas famosas. Lambuze-se!

Psicose (1960), direção: Alfred Hitchcock.

A Pantera Cor-de-Rosa (1963), direção: Blake Edwards.

Anatomia de um Crime (1959), direção: Otto Preminger.

Lawrence da Arábia (1962), direção: David Lean.

O Poderoso Chefão (1972), direção: Francis Coppola.

Casablanca (1942), direção: Michael Curtiz.

A Primeira Noite de um Homem (1967), direção: Mike Nichols.

Ivan, o Terrível (1944), direção: Serguei Eisenstein.

E o Vento Levou (1939), direção: Victor Fleming.

Laranja Mecânica (1971), direção Stanley Kubrick.

2001 - Uma Odisseia no Espaço (1968), direção: Stanley Kubrick.

Chinatown (1974), direção: Roman Polanski.

Forrest Gump (1994), direção: Robert Zemeckis.

The Rocky Horror Picture Show (1975), direção: Jim Sharman.

Pulp Fiction (1994), direção: Quentin Tarantino.

No Decurso do Tempo (1976), direção: Wim Wenders.

Era uma Vez no Oeste (1968), direção: Sergio Leone.

Quase Famosos (2000), direção: Cameron Crowe.

Cidade dos Anjos (1998), direção: Brad Silberling.

Closer - Perto Demais (2004), direção: Mike Nichols.

Trainspotting (1996), direção: Danny Boyle.

Rocky: Um Lutador (1976), direção: John G. Avildsen.

Uma Linda Mulher (1990), direção: Garry Marshall.

Clube da Luta (1999), direção: David Fincher.

Meia-noite em Paris (2011), direção: Woody Allen.

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004), direção: Michel Gondry.

Os Sonhadores (2004), direção: Bernardo Bertolucci.

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), direção: Jean-Pierre Jeunet.

Vanilla Sky (2001), direção: Cameron Crowe.

Grease: Nos Tempos da Brilhantina (1978), direção: Randal Kleiser.

Star Wars (1977), direção: George Lucas.

Os Reis do Iê, Iê, Iê (1964), direção: Richard Lester.

sábado, 23 de junho de 2012

Leonard Choen

 

 

 

 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O poeta triste do rock

 

Ian Curtis, vocalista dos Joy Division, foi encontrado morto em Macclesfield, numa manhã de domingo, 18 de Maio de 1980. Tinha 23 anos. Havia cometido suicídio. Ian estava no momento envolvido nas gravações de um novo álbum, um novo single, e em vésperas de embarcar na primeira tournée internacional com a banda pela América...nascia o mito.

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© Ian Curtis, Joy Division, (Sergipe, Wikicommons).

Primeiro estranha-se, depois há um choque profundo na nossa alma, depois tudo se adoça perante a beleza sombria e crua dos poemas de Ian Curtis, acompanhados pelas melodias envoltas em neblina sonora, ritmo militar de bateria e um sentimento profundo em cada riff dedilhado. Não é fácil tornar a ser a mesma pessoa após conhecer esta extraordinária banda. E isso não é de todo, mau. De facto, é maravilhoso.

Tudo começou quando, em 1976, Ian Curtis conheceu os seus futuros colegas de banda num concerto dos Sex Pistols em Manchester. Eram eles : Bernard Sumner na guitarra, Stephen Morris na bateria e Peter Hook no baixo. Ofereceu-se para vocalista e compositor. Nasceram então os Warsaw, versão punk da futura banda, os Joy Division que viriam a durar de 1976 a 1980. São talvez, a banda mais famosa do post-punk. Editaram apenas dois álbuns, pela Factory, editora do famoso Tony Wilson. O álbum Unknown Pleasures de 1979 e Closer de 1980. No entanto, foi com o single Love Will Tears Us Apart lançado após a morte de Ian Curtis que se tornaram famosos.Passaram a figurar na história da música mundial.

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© Ian Curtis, Joy Division, (Michel Enkiri, foto de Phillipe Carly).

Ian sempre gostou de musica, de literatura, especialmente de poesia... desde pequeno. Com o surgimento do punk e do lema “Do it Yourself” (faz tu mesmo), a possibilidade para qualquer jovem amante de musica subir a um palco nunca foi tão real. As portas abriram-se nesse sentido e qualquer um poderia de facto, mesmo não sendo tecnicamente assombroso, ter uma banda e possível sucesso.

Não é o caso dos Joy Division, eles sabiam bem tocar e o que faziam. Conheceram-se desse modo ainda o punk vigorava e acabaram por ser pioneiros no que se seguiu : O post-punk. Uma resposta antagónica ao punk. De facto a musica dos Joy Division é intimista, mais virada para as emoções humanas, sombria, com melodias simples mas negras, profunda pela poesia das suas letras que tanto roçavam o auto-retrato da alma de Ian Curtis, mas ao mesmo tempo também podia ser dançável e enérgica. Alguns exemplos dessa obscuridade devastadora são as musicas : Decades e The Eternal do segundo e póstumo álbum Closer. Este álbum surge aliás, como uma coincidência macabra, visto que o próprio titulo, a art-work da capa principal ( Uma lápide do cemitério Staglieno,em Génova, Itália) e a sonoridade pesada parecem prever o que de facto iria acontecer : Ian enforcou-se na sua cozinha em Macclesfield, segundo a lenda ouvindo o álbum The Idiot de Iggy Pop.

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© Ian Curtis, Joy Division, (Michel Enkiri, foto da esquerda de Barry Plummer; foto da direita de Martin O'Neill).

Ian sofria de epilepsia. Nos anos 80 a cura para esta doença ainda passava muito pela combinação de vários medicamentos de modo a se descobrir a formula mais eficaz de controlo dos ataques. No entanto, além dos efeitos secundários, a doença não era de modo algum compatível com o modo de vida de “ rock star” que Ian levava. Após o sucesso do álbum Unknown Pleasures, em 1979, o primeiro da banda, a epilepsia de Ian começava a agravar-se em palco. Tanto que começa a tornar-se uma espécie de dança em transe espiritual para quem assistia...O público ignorava estes factos estando longe de imaginar que o que se passava na realidade é que ele tinha fortes crises epilépticas em plena actuação. A sua vida pessoal também era atribulada conhecendo-se a ligação extra-conjugal com Annik Honoré enquanto mantinha o casamento com Deborah Woodruff, casados quando ele apenas tinha 19 anos e ela 18 anos. Pelo meio nascera Natalie que tinha apenas um ano quando o pai partiu.

Existem sobre Ian actualmente centenas de biografias online, livros e até um filme bastante agraciado pela crítica : “Control” de Anton Corbijn. Control é um filme biográfico a preto e branco sobre a vida e a morte de Curtis, relatando os primórdios da banda e a sua vida conjugal até ao seu suicídio. Foi escrito a partir do livro da esposa de Ian, Deborah Curtis, intitulado Touching from a Distance. O filme estreou em 2007, abriu o Festival de Cannes desse ano com óptimas críticas ganhando pelo meio diversos prémios cinematográficos independentes.

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© Ian Curtis, Joy Division, (Michel Enkiri, foto de Pierre Rene Worms).

Os poemas de Ian Curtis são de uma beleza inebriante, por vezes chocante, de tão explicitamente nos confrontar com os seus medos, frustrações e desesperos e consequentemente, ir ao mais intimo de nós próprios. Além do inegável talento, este ser possuía uma voz de barítono inconfundível. Foi pioneiro como compositor, no sentido em que até ele, ninguém tinha exposto tais destroços emocionais como alienação, isolamento, um amor acabado... de maneira tão frontal. Atinge-nos como uma bofetada directamente ao coração. Após Jim Morrison, Ian Curtis foi provavelmente o seguinte poeta do Rock, mas mais amargurado, castigado pela doença, pela personalidade melancólica, pelos problemas conjugais e pelo crescente sucesso da banda. Ian é mais uma prova que a morte, infelizmente, engrandece.

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© Ian Curtis, Joy Division, (Michel Enkiri, foto de Harry Goodwin).

E enquanto tremia e gesticulava em palco, vestido de negro, olhos azuis brilhantes… assim cantava :

"Mother I tried please believe me,

I'm doing the best that I can.

I'm ashamed of the things I've been put through,

I'm ashamed of the person I am

Isolation"

"Mãe, eu tentei, por favor acredita em mim

Estou a fazer o melhor que posso

Tenho vergonha das coisas que tenho feito

Tenho vergonha da pessoa que sou

Isolamento"

Por fim, um clássico da banda, a música "Atmosphere" em sua memória

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